Anteontem depois de um exaustivo dia (pra variar), voltando da faculdade por volta das 22:30, fui abordada por dois pivetes que levaram meu lindo celular cor de rosa e minha correntinha de São Jorge. Segunda vez que sou assaltada dessa forma. É um misto de revolta, invasão, tristeza. Só Deus sabe o quanto eu luto pra conseguir minhas coisas. Não nasci em berço de ouro, estudo demais, batalho demais, como "Jorge" mato um dragão por dia.
Depois que eles sairam correndo com as minhas coisas, agarrei um homem que passava e com o cel dele liguei pra mamãe pra avisar o que tinha acontecido, pra ela não cair no velho "golpe do sequestro" e morrer de susto, já que minha pequena é hipertensa. Perder o celular, a correntinha e a mãe seria demais pra mim. Depois liguei para o ex namorado pra saber se ele estava pelas redondezas. Ele já estava em casa, mas fez questão de marcar um lugar comigo pra me buscar e me levar em casa.
No final das contas eu não sabia se chorava pelo que tinha acontecido ou por ele estar comigo fazendo caridade. Não existe outra definição para o ato dele. Caridade. Quando já estava em casa surtei e saí batendo a porta na cara dele, no melhor estilo "Maria do Bairro". Não me orgulho em passar por atriz mexicana louca-desvairada, muito pelo contrário, envergonho-me pelo papelão e arrependo-me de ter ligado pra ele. Tô sozinha nessa vida e preciso encarar sozinha as expiações as quais preciso passar.
Pense na dor de uma invasão, no que é levarem algo que é seu, fruto do seu suor e junte a dor da pessoa a qual você ama te tratar como uma simples amiga, te dando a certeza de que nunca te amou, pode ter até se esforçado, mas amor de verdade nunca sentiu. Dói meu filho. E dói muito.
Mas não quero essa vibe pra mim. No dia do assalto tive uma intuição atrás da outra e algo pior não aconteceu porque tenho uma falange de amigos trabalhando em minha proteção. Tenho que pensar desse jeito, vibrando de alegria porque meu Pai Ogum desviou a atenção desses moleques (por incrível que pareça eles não viram que eu estava de mochila nas costas), a todos meus amigos espirituais e é claro, meu Deus maravilhoso que não me deixa só. Tô viva minha gente! E apesar de ter passado o dia de ontem a peso de calmante, hoje estou aqui me reerguendo e com atenção voltada à monografia. Assim que minha vida estiver estabilizada, vou embora desse país repleto de desigualdes sociais. É lastímavel pensar dessa forma. Ter de das as costas para a sua nação, seu país ... mas não vejo outra solução.
E quanto ao amor... amor que ama sozinho é mais fácil de ser desfeito pelo tempo. E mesmo que não seja, minha esperança é que não será eterno. Vou respirar fundo e dar um reforço naquele chiclete.
As coisas vão se encaixar e tudo vai dar certo.
Fé.
Ô, Jú, e eu nem sabia disso!!! Pq vc não me contou?? Me senti mto mal agora por não ter compartilhado essas dores com vc. A dor do assalto, a dor do amor...
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